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Ética na pesquisa científica: em defesa da verdadeira ciência.

A pesquisa científica deve transpor os muros da universidade e das instituições, pois toda ciência constituiu um patrimônio coletivo da humanidade. Mas, para que o conhecimento cumpra sua missão, os pesquisadores precisam se comprometer com a qualidade dos resultados, ética profissional e integridade científica.
 
Apesar de a ciência ser um bem comum, o estereótipo do cientista encerrado em seu laboratório conduzindo experimentos secretos ainda domina o imaginário popular. Evidentemente, ninguém ousaria contestar o extenso relatório e imenso compilado de dados em uma pesquisa científica.
 
Mas a pergunta é: quem regula a pesquisa científica? Até os anos 1980, os casos de má conduta e negligência eram considerados exceções, que não demandavam preocupação. Afinal, pressupõe-se que a comunidade científica seja responsável por sua autorregulação e autocontrole.
 
Porém, na década de 1990, as instituições perceberam que os plágios, manipulações e fraudes não eram tão raros quanto se imaginava. A falta de ética começou a afetar a credibilidade da ciência, exigindo políticas de integridade científica para garantir a prevenção, identificação e punição de má conduta.
 
A ética da pesquisa científica em debate
 
Em 2011, a FAPESP lançou no Brasil seu Código de Boas Práticas Científicas, estabelecendo normas de conduta para a pesquisa científica. Mais tarde, em 2014, a fundação publicou pela primeira vez os casos de fraudes em pesquisas.
 
Um levantamento de Daniele Fanelli, professora da Universidade de Edimburgo, revelou que 2% dos pesquisadores já haviam confessado má conduta grave, 33% assumiram comportamentos eticamente questionáveis e 72% viram os colegas praticando atos controversos. Outro estudo do psiquiatra Joeri Tijdink, da Universidade Livre de Amsterdã, elencou 60 tipos diferentes de condutas antiéticas na pesquisa científica em 2015.
 
Os principais problemas encontrados foram a citação de dados enviesados, falta de supervisão, negligência, arredondamento de dados, fraude, plágio, duplicação de conteúdo, fabricação de dados e manipulação de resultados.
 
O futuro da integridade científica
 
Diante de um problema global de má conduta científica, as instituições, universidades e agências de fomento têm se esforçado para criar mecanismos e políticas que assegurem a integridade da ciência.
 
A solução está na criação de órgãos internos voltados exclusivamente à promoção das boas práticas na pesquisa científica, com autonomia para investigar denúncias e punir rigorosamente os desvios.
 
Países como o Reino Unido e Alemanha já contam com órgãos nacionais para regular e supervisionar a pesquisa científica. No Brasil, a mudança está começando, com as primeiras comissões de integridade científica sendo criadas recentemente.
 
A São Carlos Química apoia o comprometimento com a integridade científica para o avanço do conhecimento no país, e acredita na construção coletiva da ciência como o legado mais precioso para o futuro.
 
Para isso, contribui com soluções laboratoriais e inovações tecnológicas que impulsionam projetos e aumentam a credibilidade da pesquisa científica.